Perdas no day trade: estudo da FGV mostra R$9,9 bi perdidos na pandemia

Estudo da FGV EESP revela que as perdas no day trade na pandemia somaram R$ 9,9 bilhões, com média de R$ 10,2 mil por investidor e até 100 mil operações diárias

Um estudo inédito da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, FGV EESP, mostra que as perdas no day trade na pandemia atingiram magnitude inédita no Brasil. Segundo a pesquisa publicada na Revista Brasileira de Finanças, 968.512 pessoas recorreram ao day trade entre 2020 e 2023 e perderam, em conjunto, R$ 9,9 bilhões, sem considerar custos de corretagem, cursos e plataformas.

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Os autores, Fernando Chague e Bruno Giovannetti, analisaram dados da Comissão de Valores Mobiliários, CVM, e apontam que, no auge da pandemia, "até 100 mil pessoas faziam day trade diariamente". A perda bruta média por indivíduo foi de R$ 10,2 mil. Como alertam os pesquisadores, "A pandemia expôs em escala inédita a vulnerabilidade de indivíduos que, diante da incerteza econômica, recorreram ao day trade como alternativa de renda. O resultado foi uma transferência maciça de recursos das pessoas físicas para as instituições", afirmam Chague e Giovannetti.

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Quem participou do movimento

A amostra da pesquisa não se limita a um único perfil socioeconômico. Profissões ligadas ao setor administrativo e de negócios aparecem com destaque, como administradores (12,1%), empresários (6,9%), analistas de sistemas (4,3%) e engenheiros (4,4%). Ao mesmo tempo, há presença marcante de ocupações com renda média menor, como vendedores (2,8%), motoristas (1,4%), cabeleireiros (0,6%) e feirantes (0,5%). Grupos como aposentados (1,5%) e estudantes (3,4%) também fizeram parte do contingente.

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O estudo sinaliza que a oferta de promessas de ganho rápido por corretoras e influencers durante o confinamento atraiu perfis diversos, do jovem estudante ao aposentado, ampliando o alcance das perdas no day trade na pandemia para além das bolhas típicas de mercado.

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Como as perdas se distribuíram por profissão

As perdas variaram muito em termos absolutos e relativos. Profissionais de maior renda apresentaram perdas médias maiores em valores nominais. Administradores perderam em média R$ 16,6 mil, empresários R$ 18,6 mil e engenheiros R$ 12,5 mil. Entre estudantes, a perda média foi de R$ 3,6 mil, e entre aposentados, R$ 16,5 mil.

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Algumas categorias mostraram prejuízos especialmente elevados: médicos tiveram prejuízo médio de R$ 34,9 mil, odontologistas R$ 17 mil, procuradores R$ 37,8 mil e tabeliões R$ 86 mil. Já profissões com renda média menor registraram perdas menores em termos absolutos, como cabeleireiros R$ 5,5 mil, eletricistas R$ 4,9 mil, empregados domésticos R$ 4,2 mil, motoristas R$ 3,7 mil e porteiros R$ 2,7 mil.

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Embora os valores absolutos sejam menores para ocupações de baixa renda, o impacto relativo sobre a renda familiar tende a ser mais severo, tornando as perdas no day trade na pandemia um problema que atravessa classes sociais com efeitos diferenciados.

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Lições e riscos para o futuro

Os dados também mostram que o day trade gera perdas agregadas consistentes para investidores pessoas físicas independentemente do contexto. No período pré-pandemia, "95,8% dos dias registraram resultado negativo para as pessoas físicas", percentual que subiu para "96,4% após março de 2020". Ou seja, quase todos os dias as instituições financeiras extraem valor das operações realizadas por pessoas físicas, e após a pandemia as perdas agregadas diárias aumentaram devido ao maior número de operadores.

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Além disso, o estudo lembra que os cálculos não incluem custos com corretagem, taxas da bolsa, cursos e plataformas, o que indica que as perdas reais das pessoas físicas foram ainda maiores que os R$ 9,9 bilhões apontados. Os autores alertam para o risco de que choques futuros, como crises de emprego, novas pandemias ou avanços tecnológicos que facilitem o acesso a instrumentos complexos de negociação, possam induzir novamente um grande contingente a estratégias especulativas com elevado potencial de destruição de riqueza.

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Em resumo, a pesquisa da FGV EESP mostra que as perdas no day trade na pandemia não foram um fenômeno localizado, e sim uma transferência sistêmica de recursos das pessoas físicas para instituições, com impacto disperso e profundo na economia doméstica de milhares de brasileiros.

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O impacto sistêmico das perdas no day trade durante a pandemia

As perdas no day trade durante a pandemia não representaram apenas episódios isolados de má performance individual. Elas configuraram um movimento sistêmico no qual recursos de milhares de investidores iniciantes foram transferidos para instituições financeiras mais estruturadas, que operam com tecnologia avançada, algoritmos e estratégias profissionais. Esse desequilíbrio de capacidades fez com que a maior parte dos traders pessoa física experienciasse resultados negativos, contribuindo para um quadro generalizado de perdas em larga escala no mercado.

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Além disso, esse fenômeno teve consequências expressivas na economia doméstica de milhares de brasileiros. Muitos iniciantes, motivados por promessas de ganhos rápidos e pela ilusão de alto retorno, comprometeram parte significativa de sua renda, reservas de emergência ou até mesmo crédito. O resultado foi um impacto financeiro profundo e amplamente distribuído, afetando orçamentos familiares, aumentando níveis de endividamento e reduzindo a segurança financeira de diversas famílias em um dos períodos mais desafiadores da história recente.

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