O mercado do Bitcoin vive um momento de hesitação, oscilando em um amplo intervalo entre US$ 100.000 e US$ 118.000, em um movimento que analistas definem como consolidação. Segundo especialistas, o comportamento do preço dentro dessa faixa vai determinar se a criptomoeda retoma a trajetória de alta ou inicia uma correção mais profunda.
Na última semana, o preço do Bitcoin fechou a semana em baixa de 5,47%, apesar de uma recuperação parcial frente às mínimas de US$ 102.000 registradas na Binance durante o colapso que eliminou US$ 19 bilhões em posições compradas no mercado de derivativos. O impulso tardio horas antes do fechamento semanal foi motivado pela disposição do presidente dos EUA, Donald Trump, de se sentar na mesa de negociação com o líder chinês, Xi Jinping, em busca de um acordo comercial razoável para ambas as potências.
O mercado, porém, segue sensível a riscos externos, como shutdown, tarifas e tensões geopolíticas, além de oscilações em ativos de tecnologia e IA. Como resume o boletim da QR Asset, “Bitcoin e os criptoativos em geral acabam sendo um proxy de um mercado que ainda tem receio do seu rumo em meio a um cenário de shutdown, tarifas e guerras comerciais, conflitos externos e também sobre uma possível valorização exagerada de ações de IA e tecnologia.”
Mesmo com essa incerteza, alguns sinais macroeconômicos contribuem para o sentimento de risco. Dados da FedWatch Tool da CME apontam 98,9% de chances de uma nova redução de 0,25% em 29 de outubro, o que alimenta expectativas de menor custo de capital no médio prazo e pode favorecer ativos de maior risco, como o Bitcoin.
Para o analista Diego Pohl, da Crypto Investidor, os movimentos dentro da faixa de consolidação são parte de um processo maior. Segundo ele, “Para dar continuidade à tendência de alta, o Bitcoin precisa romper com força a região dos US$ 118.000. Esse rompimento confirmaria a retomada da tendência e abriria espaço para uma nova etapa de valorização, com alvos projetados entre US$ 150.000 e US$ 170.000.”
Por outro lado, Pohl alerta que a perda do suporte em US$ 100.000 invalidaria esse cenário de alta. “O ativo poderá entrar em um processo de correção mais prolongado, com possibilidade de retração em direção à região de US$ 50.000 a US$ 70.000, onde se encontram seus próximos suportes relevantes.” Essas projeções colocam em foco a importância de acompanhar volume, fluxo em derivativos e posicionamento de grandes detentores.
Para Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset, o atual arranjo de mercado é frágil, mas funcional. Em suas palavras, “O ‘equilíbrio’ atual é frágil, mas funcional. Esse arranjo, em que risco e hedge convivem, é classicamente favorável a ativos com convexidade alta, desde que a liquidez não volte a se contrair de maneira abrupta.”
Além disso, referências técnicas e indicadores continuam sinalizando indecisão. Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, John Bollinger, criador das Bandas de Bollinger, apontou que há uma grande probabilidade de surtos de volatilidade no Ether (ETH) e na Solana (SOL), enquanto a ação de preço do Bitcoin segue sem direção definida no curto prazo.
No fechamento, o mercado ainda observa que o Bitcoin opera com variações relevantes, e que fatores externos, como anúncios políticos e decisões de política monetária, podem rapidamente transformar um quadro de consolidação em um movimento direcional intenso. Atualmente, o ativo negocia em torno de US$ 111.000 e, segundo dados citados, o preço do Bitcoin está 12,1% abaixo de sua máxima histórica de US$ 126.000, deixando claro que há espaço tanto para uma nova etapa de valorização quanto para correções significativas.
Esta matéria não constitui recomendação de investimento. Investidores devem conduzir sua própria pesquisa antes de tomar decisões, monitorando suportes, resistências e o contexto macro que podem definir os próximos rumos do Bitcoin.
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