A pressão sobre a economia doméstica voltou a crescer à medida que a inflação corrói o poder de compra das famílias, especialmente no grupo de alimentos. Segundo levantamento recente, a inflação acumulada do ano vai a 4,83% e estoura o teto da meta em 2024, cenário que obriga consumidores a rever hábitos, reduzir despesas não essenciais e buscar proteção para as contas de casa.
Além disso, o custo do crédito aumenta com a elevação da taxa básica de juros. A Selic está em 13,25% ao ano, e deverá subir ainda mais. Há sinais fortes de que a taxa irá para 14,25% ao ano em março. Isso significa que novas dívidas saem mais caras, e que parcelas de empréstimos e financiamentos tendem a comprometer uma fatia maior da renda.
Quando a inflação acelera, itens essenciais como alimentos e transporte sobem mais rápido do que salários, comprimindo o orçamento das famílias. Esse efeito é especialmente duro para as classes médias e baixa, que destinam maior parte da renda a consumo imediato.
O impacto imediato é o aumento da necessidade de cortar gastos ou de recorrer ao crédito. No entanto, com a Selic alta, o crédito fica mais caro, transformando uma solução temporária em problema de longo prazo. Por isso, proteger a economia doméstica passa por reduzir a dependência de empréstimos e por decisões de consumo mais conscientes.
O primeiro passo é mapear todos os gastos. Monte uma planilha ou utilize um aplicativo para anotar até as despesas pequenas, porque é impossível gerenciar aquilo que não se conhece. Muitas pessoas se surpreendem com o peso de gastos aparentemente irrelevantes.
Na hora de ir ao supermercado, defina um limite de gasto antes de sair, compare preços, marcas e prazos de validade, e prefira preparar refeições planejadas em casa para evitar pedidos por delivery. Priorize dias de promoção e evite levar crianças ao supermercado, quando elas podem influenciar compras por impulso.
Seguir regras simples ajuda a controlar o consumo: use a regra das 48 horas antes de comprar itens não essenciais, avalie sempre o custo/benefício e, quando possível, opte por pagamentos à vista. Como orientam especialistas da Unicred, “Se possível, opte por pagamentos à vista que podem oferecer descontos e evitar a incidência de juros”, sugere. Esse tipo de postura reduz a probabilidade de comprometer a renda futura da família.
Se as dívidas já existem, a recomendação é não adiar o contato com o credor. Renegociar condições pode evitar que a inadimplência piore o histórico financeiro. Na avaliação de Cristiano Rocha, CRO da Geru, fintech de crédito, “Renegociar dívidas antigas pode evitar que a inadimplência já registrada afete ainda mais negativamente o histórico”.
O volume de endividados segue alto: “De acordo com levantamento realizado pelo Serasa, o último mês de 2024 registrou a marca de 73,51 milhões de endividados.” A maior fatia está entre os brasileiros com idades entre 41 e 60 anos, representando 35,1%, seguida pelas faixas de 26 a 40 anos (33,8%), acima de 60 anos (19,3%) e jovens entre 18 e 25 anos (11,7%). Apesar do número alto, houve uma queda de 0,37% em relação a novembro.
Ao renegociar, procure reduzir juros e alongar prazos com cautela, sempre simulando o impacto das novas parcelas no orçamento. Priorize dívidas com juros mais altos, e evite contrair novas obrigações se a receita familiar estiver apertada.
Em resumo, proteger a economia doméstica diante da inflação exige disciplina, planejamento e diálogo com instituições financeiras. Cortes em serviços não essenciais, planejamento de compras, uso inteligente do pagamento à vista e renegociação de débitos são as principais ferramentas para manter as contas de casa longe da inflação e dos juros elevados.
A melhor forma de recuperar o controle das finanças domésticas é começar imediatamente. Não deixe para amanhã aquilo que pode — e deve — ser feito hoje. Criar uma planilha ou utilizar aplicativos de controle financeiro ajuda a registrar cada gasto, inclusive aqueles pequenos valores que parecem insignificantes, mas que podem somar grandes montantes ao final do mês. Quando você visualiza todos os números com clareza, passa a entender para onde o dinheiro está indo e identifica pontos de desperdício que costumavam passar despercebidos. Muitas pessoas se surpreendem ao perceber que pequenas compras representam uma fatia considerável do orçamento. Essa tomada de consciência é essencial para qualquer mudança real.
Equilibrar as contas envolve duas possibilidades: aumentar a renda ou reduzir gastos — e, na maioria das vezes, a segunda alternativa é a mais rápida e eficaz. Reserve um momento para analisar, em família, quais despesas são realmente necessárias e quais podem ser reduzidas ou eliminadas temporariamente. Assinaturas de streaming, pacotes de TV e planos de internet acima do necessário costumam ser bons pontos de corte. A ideia não é eliminar o lazer da casa, mas sim alinhar os serviços contratados com aquilo que está sendo verdadeiramente utilizado. Cada pequena redução contribui para um orçamento mais leve e para a recomposição gradual da saúde financeira.
Ir ao supermercado sem planejamento é uma das principais causas de estouro no orçamento doméstico. Antes de sair de casa, defina o valor máximo que pretende gastar e comprometa-se a seguir esse limite. Compare marcas, tamanhos de embalagens e datas de validade para escolher produtos que ofereçam o melhor custo-benefício. Evite levar crianças pequenas, que costumam pedir itens extras e influenciar compras por impulso. Além disso, fique atento aos dias de oferta dos supermercados da sua região. O planejamento das refeições também ajuda a economizar: montar cardápios semanais reduz compras emergenciais e evita a tentação de pedir comida por aplicativos, um hábito que pesa no bolso.
Promoções podem ser grandes aliadas da economia doméstica, desde que você realmente precise do item. Muitas pessoas acabam gastando mais ao ver um produto com desconto, acreditando que estão aproveitando uma oportunidade imperdível. Para evitar compras por impulso, utilize a regra das 48 horas: quando sentir vontade de adquirir um item mais caro, como um eletrodoméstico ou um eletrônico, aguarde dois dias antes de decidir. Esse tempo permite refletir com calma e avaliar se a compra faz sentido dentro do orçamento e das prioridades da família. Na maioria das vezes, a vontade passa — e o dinheiro fica.
O cenário de juros elevados no Brasil torna qualquer empréstimo, financiamento ou compra parcelada um compromisso sério e potencialmente arriscado. Antes de assumir dívidas de longo prazo, como as relacionadas a casa, carro ou reformas, é fundamental discutir em família e analisar cuidadosamente os impactos no orçamento futuro. Compromissos assumidos sem planejamento podem pesar por anos e comprometer objetivos importantes. Sempre que possível, adie compras de alto valor até que a situação financeira esteja mais estável. Prudência é a chave para evitar armadilhas que podem prejudicar a tranquilidade financeira.
Se você já se encontra em uma situação de endividamento, agir rapidamente é essencial. Entre em contato com os credores, busque renegociações e lute para reduzir juros e prazos. Muitas empresas e bancos oferecem condições especiais para clientes que desejam regularizar débitos, especialmente quando você demonstra disposição para resolver a situação. Ao renegociar, procure organizar todas as dívidas em um único plano, evitando atrasos futuros. Esse movimento representa um passo importante para recuperar o controle do orçamento e reconstruir a estabilidade financeira.
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