Os números mais recentes expõem a dimensão do desafio: de acordo com relatório da Chainalysis, desde 2020 as estimativas anuais de atividades digitais ilícitas cresceram, em média, 25% ao ano, e os golpes digitais teriam desviado mais de US$51 bilhões em 2024. No Brasil, a realidade é igualmente preocupante. No Brasil, a Serasa Experian aponta que 51% dos consumidores foram vítimas de fraude em 2024, e mais da metade sofreu perdas financeiras, e em janeiro de 2025, o Brasil registrou mais de 1,2 milhão de tentativas de fraude, alta de 41,6% em relação ao mesmo mês de 2024, com destaque para o setor bancário, segundo dados do Serasa Experian.
Esses indicadores mostram que crimes digitais no mercado financeiro já não são apenas ameaças pontuais, eles alteram riscos operacionais, reputação e confiança de clientes. Além disso, estudos corporativos de segurança alertam para fragilidades específicas em torno da inteligência artificial: 97% das organizações que relataram um incidente de segurança relacionado à IA não possuíam controles adequados de acesso, 63% das organizações não tinham políticas de governança para gerenciar ou evitar a proliferação de IA invisível (shadow AI), e o custo médio global de uma violação de dados pode chegar a US$ 4 milhões. Diante disso, especialistas dão 7 pistas práticas para reduzir exposição e perdas.
Uma das recomendações centrais é incorporar controles de prevenção já na fase de design dos produtos, ou seja, adotar o compliance by design. Segundo Gustavo Siuves, especialista em tecnologia financeira e CRO da infratech Azify, "A resposta a esse cenário vai além de reforçar barreiras tecnológicas: exige integração entre setores, regulação adaptativa e, sobretudo, o desenvolvimento de soluções estruturais de compliance. É nesse ponto que especialistas destacam o papel de práticas como o compliance by design e a capacitação permanente como medidas de proteção indispensáveis para empresas e investidores". Integrar políticas de KYC e KYT ao lançamento de serviços, auditar fluxos de autorização e mapear riscos desde a concepção reduz a necessidade de remendos reativos, diminuindo vetores de ataque e vulnerabilidades.
A independência da área de compliance é outro ponto crítico. Quando a função de controle opera com autonomia operacional, ela consegue decidir sobre bloqueios, investigações e mitigação sem pressão por metas comerciais. Como reforça Siuves, "A segurança dos clientes é prioridade máxima. Estruturamos controles para resistir a pressões externas, inclusive comerciais".
Tecnologias como blockchain analytics, KYT, machine learning e monitoramento em tempo real são ferramentas essenciais para rastrear transações suspeitas e mapear origem e destino de fundos. Essas soluções encurtam o tempo entre detecção e resposta, e melhoram a coordenação com investigações. A aplicação de analytics permite identificar padrões de lavagem de dinheiro e transações atípicas, fundamentais no combate a fraudes envolvendo criptoativos.
Além da tecnologia, é preciso treinar equipes técnicas e de atendimento para reagir rapidamente. "A capacitação contínua fortalece a capacidade das instituições em identificar e combater crimes cibernéticos no mercado de criptoativos", acrescenta Siuves. Simulações de ataque, exercícios de resposta a incidentes e cursos especializados tornam a detecção mais eficiente e reduzem o impacto quando uma invasão ocorrer.
O combate a crimes digitais no mercado financeiro exige coordenação entre setores. A integração público-privada melhora o fluxo de informações sobre endereços suspeitos, transações anômalas e padrões de comportamento ilícito, resultando em respostas mais rápidas e investigações mais eficazes. A cooperação evita que sinais detectados pelo setor privado se percam por falta de canais ágeis com autoridades.
Regulação equilibrada é igualmente importante. Medidas excessivas podem empurrar operações para ambientes opacos, por isso o ideal é regras proporcionais ao risco, combinadas com monitoramento tecnológico e controles internos robustos. Para que a indústria inove sem abrir espaço para ilícitos, a segurança deve ser tratada como prioridade estratégica, com análises de risco, auditorias regulares e simulações. Como conclui Gustavo Siuves, "Inovação e proteção caminham juntas. Só assim podemos construir um mercado digital mais seguro e confiável".
Em suma, reduzir crimes digitais no mercado financeiro passa por adotar compliance by design, capacitar equipes, investir em tecnologias de rastreamento e construir canais de cooperação entre empresas e reguladores. Só assim é possível proteger clientes, reduzir prejuízos e recuperar a confiança dos investidores em um ambiente cada vez mais digitalizado.
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